Projeto avalia papel das áreas de proteção ambiental
Coordenado pela Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo (FAP), o projeto “Avaliação da efetividade do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos e das Estações Ecológicas Tupinambás e Tupiniquins”, selecionado no último edital do Programa Costa Atlântica, promovido pela SOS Mata Atlântica com patrocínio da Repsol Sinopec, tem como objetivo avaliar a importância das áreas de proteção marinha para preservação da biodiversidade.
 
 
As três áreas monitoradas pelo projeto são unidades de conservação federais de proteção integral, todas localizadas no litoral de São Paulo. Em duas delas, Estação Ecológica de Tupinambás e Estação Ecológica de Tupiniquins, é proibido o turismo e a pesca em seu entorno. Entre as duas está o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, que permite atividades educacionais e de turismo. A Ilha da Queimada Grande é a área controle do projeto, pois apesar de ser uma Unidade de Conservação, não tem seu entorno marinho protegido e é uma área de pesca. 
 
A equipe de pesquisadores é multidisciplinar, formada por professores do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para levantamento de dados, os pesquisadores fazem pesquisa de campo nas Unidades de Conservação (UC) e na área de controle, com mergulhos para censos visuais e avaliação da diversidade das espécies, averiguando o tamanho médio dos peixes, que possibilita estimar também sua biomassa, além da qualidade do habitat e da cobertura bentônica nos recifes rochosos. Admite-se que esses são indicadores de efeitos encontrados em áreas protegidas, que também gera benefícios para as áreas adjacentes, como maior oferta de peixes.
 
“Foram feitos dois novos registros de corais em águas rasas que só eram conhecidos em água profundas do Caribe”, diz o professor Marcelo Kitahara, da Unifesp, responsável por avaliar os bentos. Para aprimorar o sistema de monitoramento e torná-lo mais preciso, o projeto prevê a fixação de vergalhões de metal em áreas específicas no fundo do mar, próximo à costa da Ilha de Alcatrazes. A cada mergulho o fotógrafo encaixará o “quadrati” (uma moldura de plástico com linhas formando uma grade) nesses pontos, assim o registro fotográfico de monitoramento poderá ser feito sempre na mesma área ao longo do tempo.  
 
“Essa metodologia contribuirá para o conhecimento da taxa de crescimento dos corais e da dinâmica das macroalgas, que são muito sazonais, além de consolidar Alcatrazes como um sítio de monitoramento de longo prazo”, explica o professor Rodrigo Moura, da UFRJ.
 
 
Fábio Motta, professor da Unifesp e coordenador do projeto, ressalta a interação com os conselhos gestores dessas UCs na abordagem da efetividade da gestão e da importância de se fazer monitoramento para direcionar a gestão. Segundo Motta, “o resultado desse projeto servirá para gerar as bases do monitoramento de longo prazo. Quando se fala em áreas marinhas, é importante haver um monitoramento de longo prazo e estar perto dos gestores, fazer com que a ciência faça sentido para a gestão”. 
 
O projeto já identificou a ocorrência de novas espécies, como a raia manta, corais e diversas espécies endêmicas. Para Motta, “é impressionante que, em um estado desenvolvido como São Paulo, ainda haja uma lacuna tão grande em torno do conhecimento do mar. Há verdadeiros santuários no litoral de São Paulo, ilhas que são refúgios e abrigam espécies endêmicas. Como é difícil criar novas áreas marinhas, é imprescindível preservar aquelas que já existem”.